A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, órgão
do Ministério Público Federal, encrencou com o uso da expressão ‘Deus
seja louvado’ nas cédulas do Real. Em ação protocolada na Justiça
Federal, pede que a frase seja suprimida da moeda. Alega-se que a inscrição “privilegia uma religião em detrimento das outras.”
Signatário da ação, o procurador regional dos direitos do cidadão
Jefferson Aparecido Dias anota no texto:
“Imaginemos a cédula de real
com as seguintes expressões: ‘Alá seja louvado’, ‘Buda seja louvado’,
‘Salve Oxossi’, ‘Salve Lord Ganesha’, ‘Deus Não existe’. Com certeza
haveria agitação na sociedade brasileira em razão do constrangimento
sofrido pelos cidadãos crentes em Deus.”
Para o procurador, o fato de os brasileiros serem majoritariamente
cristãos “não justifica a continuidade das violações aos direitos
fundamentais dos brasileiros não crentes em Deus.” Ele recorda que não
há no país lei que obrigue a impressão da louvação ao Padre Eterno nas
cédulas.
“Não se pode admitir que a inclusão de qualquer frase nas cédulas
brasileiras se dê por ato discricionário, seja do presidente da
República, seja do ministro da Fazenda”, sustenta Jefferson Dias na
ação. Esclarece que a providência não resultará em gastos adicionais.
Por quê? Pede à Justiça que conceda à União o prazo de 120 dias para que
as novas cédulas comecem a ser impressas sem a frase.
Durante o inquérito que deu origem à ação, o Ministério da Fazenda
foi chamado a se manifestar. Informou que Deus desceu às cédulas em
1986, por ordem do então presidente José Sarney. Em 1994, ao editar o
Plano Real, Fernando Henrique Cardoso, à época ministro da Fazenda do
presidente Itamar Franco, manteve a expressão sob o pretexto de que se
tratava de “tradição da cédula brasileira”.
Na opinião do procurador, nenhuma das duas determinações faz sentido.
A de Sarney porque não encontra amparo na legislação. A de FHC porque
decisão tomada oito anos antes não constitui uma “tradição”. De resto,
Jefferson Dias recorda que, pela Constituição, o Estado brasileiro é
“laico”.
Submetidos à ação do procurador, os crentes serão levados a concluir que Deus existe, mas não é full time. Quanto aos ateus, dirão que, se Ele existisse, já teria convencido o doutor Jefferson Dias.
- Serviço: pressionando aqui, você chega à íntegra da ação.
2 comentários:
Uai, sô !
Os Estados Unidos são um pais laico e as cédulas de dinheiro ostentam a frase: "In God we trust".
^Wta povinho caipira esses gringos.
Bom mesmo somos nós, que temos esses promotores que em vez de acusar os salafrários que abundam nesta terra ficam se preocupando com cruxifixos nas repartições públicas e coisas como essas apontadas na notícia.
Quando é que vão mandar demolir o Cristo Redentor no Corcovado?
Décio
Esse Sr. Jeffersos Aparecido Dias não tem mais com o que se preocupar? O mundo pegando fogo e ele se ocupando em tirar essas inscrições da cédula do real?Deus, Buda , seja qual nome for, é questão de nomenclatura...Cada pessoa leia de acordo com sua convicção religiosa.Quanto aos ateus, não há necessidade de que Deus tire essa ideia de suas cabeças.Deus pode muito mais que isso.Deus tem tanta coisa com que se preocupar e não vai dar atenção a um grãozinho de mostarda como esse.Acorda gente!!! Tem coisa muito mais importante para se resolver...basta ver os noticiciários ou ler os jornais...Será que o problema maior do Brasil é essa inscrição no nosso dinheiro????? Faça-me o favor...Valha-me Deus de coisas tão mesquinhas...
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