BRASÍLIA, 15 Mar
(Reuters)
Depois de aprovar um projeto como o Ficha Limpa, que trata da inelegibilidade em eleições, o Brasil precisa avançar em uma lei semelhante para os mais de 20 mil ocupantes de cargos de confiança do governo, sugere a presidente do Conselho de Administração Internacional da Transparência Internacional, Huguette Labelle.
Depois de aprovar um projeto como o Ficha Limpa, que trata da inelegibilidade em eleições, o Brasil precisa avançar em uma lei semelhante para os mais de 20 mil ocupantes de cargos de confiança do governo, sugere a presidente do Conselho de Administração Internacional da Transparência Internacional, Huguette Labelle.
Foto: Ronco
Em entrevista exclusiva à
Reuters, Labelle classificou o projeto de iniciativa popular como "um exemplo
maravilhoso de mobilização da sociedade civil".
"(O Ficha Limpa) é uma ideia
interessante para outros países olharem e de se acompanhar", afirmou ela,
acrescentando ser uma proposta "simples" que mostra uma sociedade civil
"vibrante".
Labelle, que se reuniu nesta
quarta-feira com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, sugeriu
que seria bom ampliar o escopo da medida.
"Estender as mesmas provisões
aos 20 mil funcionários de confiança do governo é mais razoável", disse
ela.
A executiva sugeriu ainda que,
como o Brasil está investindo muito em obras de infraestrutura para a Copa do
Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, valeria a pena "gastar algum dinheiro" com
ferramentas de monitoramento e controle.
"Porque não é apenas uma
empresa, são várias e vários níveis... E você precisa ter certeza que os
responsáveis pelo controle não estão apenas olhando para papéis",
afirmou.
Segundo ela, um dos setores
mais delicados e que mais exigem controle contra corrupção é o da construção
civil. "Há muito dinheiro, os perigos são mais altos",
disse.
Ela disse ser essencial que se
introduza um sistema de transparência total, mas elogiou as medidas tomadas pela
CGU (Controladoria Geral da União).
"Quem passa dinheiro por baixo
da mesa acaba cobrando a conta. Não há filantropia nesta área", afirmou
ela.
Perguntada sobre a imagem de
Dilma como uma presidente que "faxina" ministros envolvidos em denúncias de
irregularidades, Labelle disse que o que importa são as "ações" e que, neste
aspecto, Dilma demonstrou até agora ter "coragem".
"O que é importante para
qualquer líder não é apenas dizer que se compromete em combater a corrupção e
com a transparência antes, nas eleições, ou mesmo durante o tempo no cargo. São
as ações que se seguem. Por meio de suas ações, (Dilma) mostrou que seus
comprometimentos se transformaram em ações."
A conversa foi também um
convite da organização para que a presidente brasileira participe da 15a
Conferência Internacional Anticorrupção, que ocorrerá em Brasília em
novembro.
Labelle disse ainda que outro
passo adicional a ser dado pelo Brasil é garantir que os governos municipais e
estaduais tenham as ferramentas e os incentivos necessários para serem mais
transparentes e deterem corrupção.
Em ranking da própria
organização que mediu a percepção da corrupção em 2011 entre 183 nações, o
Brasil ficou em 73o lugar, com nota 3,8. Em primeiro lugar está a Nova Zelândia,
com nota 9,5. Na América Latina, o melhor colocado em 2011 foi o Chile, com nota
7,2.
(Reportagem de Ana
Flor)
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