Padre José Antonio apaga mais uma velinha e acende novas esperanças
Mais de três décadas de sacerdócio, milhares de fiéis acolhidos e uma obra social que deixou sua marca na história da comunidade douradense.
Existem pessoas que passam por uma cidade. Outras, entretanto, deixam marcas que permanecem na memória de gerações. É o caso do Padre José Antônio, sacerdote que construiu uma trajetória profundamente ligada à história religiosa e social de Dourado, no interior paulista.
Nascido em 5 de novembro de 1949, no distrito de Lobo, município de Itatinga (SP), filho de Raimundo Prestes e Maria de Lourdes Campos Prestes, José Antônio foi ordenado sacerdote em 7 de janeiro de 1978. Sua caminhada religiosa passou por diferentes comunidades, entre elas Itapuã, Tabatinga e Torrinha, até chegar a Dourado, em 1988.
Foi aqui que sua história ganhou uma dimensão especial.
À frente da Paróquia São João Batista por aproximadamente 32 anos, Padre José Antônio conquistou o respeito e a admiração de uma comunidade que encontrou em suas celebrações uma maneira particular de vivenciar a fé.
As chamadas Missas das Bênçãos tornaram-se sua marca registrada. Inicialmente frequentadas pelos moradores da cidade, as celebrações passaram a atrair pessoas de inúmeras localidades, inclusive de outros estados. Igrejas lotadas, espaços improvisados para receber os fiéis e longas filas para receber uma bênção individual passaram a fazer parte dessa realidade.
Seu jeito simples de transmitir a mensagem religiosa, a proximidade com as pessoas e a disposição para ouvir os problemas e as aflições de quem o procurava ajudaram a construir essa identificação com o público.
Mas sua contribuição não ficou restrita à atividade religiosa.
Uma das iniciativas mais importantes de sua trajetória foi a idealização do Centro Juvenil São Domingos Sávio, instituição voltada ao atendimento de crianças e adolescentes de famílias de baixa renda. O projeto chegou a atender aproximadamente 300 crianças, oferecendo alimentação, atividades educativas, recreativas e acompanhamento social.
Uma obra que demonstra que a missão sacerdotal também pode ultrapassar os limites do altar e alcançar diretamente as necessidades da comunidade.
Em janeiro de 2019, depois de mais de três décadas à frente da paróquia, Padre José Antônio deixou a administração pastoral e econômica da comunidade, passando a desenvolver sua missão de maneira mais livre pela Diocese de São Carlos. A mudança não significou o encerramento de sua ligação com Dourado, tampouco o fim das tradicionais Missas das Bênçãos.
Sua trajetória também foi marcada por desafios pessoais e períodos de recuperação, mas sua história de dedicação religiosa continuou sendo acompanhada por fiéis e admiradores.
Em outubro de 2026, a equipe responsável pelas Missas das Bênçãos divulgou um comunicado informando que o sacerdote estava em processo de recuperação, com evolução positiva, e agradecendo as manifestações de carinho e as orações recebidas.
UM LEGADO QUE NÃO SE MEDE EM ANOS
Ao recordar a passagem do Padre José Antônio por Dourado, é impossível não reconhecer a dimensão de sua contribuição. Foram anos de trabalho religioso, iniciativas sociais, acolhimento e uma capacidade de reunir pessoas em torno da fé.
Independentemente da religião ou da crença de cada um, existe um aspecto de sua história que merece reconhecimento: a dedicação ao próximo e a construção de uma obra que ultrapassou os limites da própria Igreja.
Dourado tem motivos para preservar essa memória. Afinal, mais do que um sacerdote que celebrou missas e concedeu bênçãos, Padre José Antônio tornou-se parte da história da cidade.
Há legados que não terminam quando uma missão muda de endereço. Permanecem nas pessoas beneficiadas, nas famílias acolhidas e nas lembranças de uma comunidade inteira.
Fotos: Ronco
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