Governo paga aluguel de limousines nos EUA após denúncia de calote de US$ 100 mil
O calote que o Governo deu no
aluguel de carros de luxo para a comitiva presidencial nos Estados Unidos é um
caso emblemático da crise no Itamaraty. O Ministério das Relações Exteriores
passa por uma crise financeira desde o início do ano, deixando embaixadas sem o
fornecimento de serviços básicos.
Se não bastasse a insuficiência
dos repasses para pagar as contas de luz e água, a pasta demorou dois meses
para pagar US$ 100 mil no uso dos veículos. A maior vítima desse atraso foi o
brasileiro Eduardo Marciano, dono da NS Highfly Limousine, empresa de aluguel
de veículos.
O empresário só recebeu o
dinheiro nesta segunda-feira (17), quatro dias após ele ter denunciado o calote
nas redes sociais. Falando à Jovem Pan direto da Califórnia, Eduardo disse que
decidiu divulgar o atraso porque não sabia a data certa do depósito.
"Como eu não sabia quando
iriam me pagar e uma data certa para estar honrando meus compromissos com os
motoristas, decidi falar, já que tentei inúmeras vezes falar no Itamaraty e não
tinha uma resposta decisiva. Não é possível a gente trabalhar de uma maneira
sem saber a data em que vai receber", explicou.
Segundo Eduardo Marciano, foram
alugados no total 19 limousines, dois ônibus, um caminhão e três vans na
comitiva presidencial na Califórnia. Quando o empresário cobrou o pagamento no
consulado brasileiro, recebia como justificativa a crise financeira do setor
público brasileiro.
"O que eles todo tempo
vinham me falando é que estavam com problemas de um outro órgão público que tem
que repassar o dinheiro para o Itamaraty. Este órgão estava com problemas
financeiros e estavam esperando aguardar o Itamaraty ter a verba para ser
repassada para o Consulado do Brasil em São Francisco", disse.
O ex-ministro das Relações
Exteriores, Luiz Felipe Lampreia acredita que o episódio marca a crise e a
depreciação do Itamaraty no Governo Dilma. "É emblemático, sem dúvida
nenhuma, o Itamaraty está numa situação muito difícil. Por duas razões. Em
primeiro lugar houve um desdobramento excessivo de embaixadas. Hoje temos mais
que o triplo de número de embaixadas que tivemos historicamente. Em segundo
lugar, particularmente durante o primeiro Governo de Dilma Rousseff, o
Itamaraty foi fortemente depreciado e desvalorizado, recebendo pouco poder,
pouca atenção e pouco orçamento".
Lampreia esclareceu que a decisão
do aluguel dos carros é da comitiva presidencial, mas o repasse deve ser feito
pelo Ministério das Relações Exteriores. A área internacional da
Secretaria de Imprensa da Presidência da República confirmou que o pagamento
não havia sido realizado antes por conta das dificuldades financeiras
enfrentadas pelo Itamaraty devido aos cortes orçamentários e afirmou que a
pasta está quitando dívidas com fornecedores não apenas desta viagem específica
como também de outras realizadas pelo Governo.
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