A defesa de Luís Cláudio Lula da Silva diz que vai recorrer da decisão porque no documento consta visto americano com validade até dezembro de 2020
Luiz Cláudio Lula da Silva: passaporte diplomático cancelado
(Folhapress)
A Justiça Federal de Brasília anulou o passaporte diplomático concedido
a Luís Cláudio Lula da Silva, um dos filhos de Luiz Inácio Lula da
Silva, três dias antes do término do mandato do ex-presidente. A decisão
do juiz Jamil Rosa de Jesus Oliveira, da 14ª Vara Federal em Brasília,
rejeitou recurso impetrado pela defesa do filho de Lula para reverter o cancelamento
do documento já determinado pela Justiça em julho do ano passado. A
medida atendeu à ação civil pública movida pelo Ministério Público
Federal em 2012 após investigar irregularidades na concessão do
passaporte especial, estendida ilegalmente a parentes do ex-presidente,
autoridades religiosas, políticos e ex-ministros. As acusações levaram o
Ministério das Relações Exteriores (MRE) a adotar regras mais rígidas
para liberar o documento.
O advogado de Luís Cláudio, Cristiano Zanin Martins, afirmou que vai
recorrer. Segundo o defensor, a sentença "não acrescenta nada" porque o
passaporte diplomático já tinha sido cancelado. Martins acrescentou que,
em setembro do ano passado, a Justiça Federal de Brasília já havia
concedido uma liminar para proibir a apreensão do documento. Nesse
recurso, Luís Cláudio ganhou direito de usar o passaporte, como se fosse
um passaporte comum, por ter obtido um visto de entrada nos Estados
Unidos com validade até dezembro de 2020.
"A questão do cancelamento (do passaporte) já foi feita
administrativamente", afirmou o advogado do filho de Lula. Martins disse
que a troca do passaporte diplomático pelo comum será uma providência a
ser tomada futuramente. Na decisão, o juiz federal destacou que o
passaporte diplomático será apreendido em juízo, para em seguida ser
devolvido ao Itamaraty.
O passaporte diplomático do filho de Lula virou alvo de ação civil
pública proposta em junho de 2012 pelo Ministério Público Federal depois
que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou que Luís
Cláudio era o único que não havia devolvido o documento dentre os sete
parentes do ex-presidente beneficiados. Um mês depois, a Justiça
concedeu liminar para suspender o passaporte dado a ele. O passaporte
diplomático de Luís Cláudio tinha validade até dezembro de 2014.
Na sentença emitida em 3 de outubro do ano passado, o juiz Jamil Rosa
de Jesus Oliveira, da 14ª Vara Federal em Brasília, mencionou que o
Itamaraty já havia cancelado o documento em razão da nova regulamentação
de concessão. "Em verdade, não há nada a acrescentar em matéria de
mérito, uma vez que o passaporte diplomático concedido ao réu foi
absolutamente irregular, de modo que a consequência deve ser o
cancelamento, definitivo, do documento, e respectiva apreensão, se não
houver devolução espontânea", decidiu o magistrado.
Descoberta a farra da distribuição de passaportes diplomáticos a
parentes do ex-presidente, em 2012, a Procuradoria da República no
Distrito Federal passou um pente-fino para avaliar a regularidade de 328
passaportes emitidos pelo Itamaraty entre 2006 e 2010, em caráter
excepcional. Apenas sete passaportes concedidos aos parentes de Lula
foram considerados irregulares, por não apresentarem justificativas
pertinentes.
Regalias - O passaporte diplomático dá ao seu
portador uma série de regalias, como passagem livre pela fiscalização no
embarque e desembarque em países com os quais o Brasil tem relação
diplomática. De emissão gratuita, o documento também torna dispensável,
em alguns países, a exigência do visto de entrada. Fazem jus ao
passaporte diplomático, segundo o Itamaraty, aqueles que desempenham ou
vão desempenhar missão ou atividade continuada de especial interesse do
país.
(Com Estadão Conteúdo)
3 comentários:
No Brasil todos têm direitos iguais.
Alguns porém, especialmente os guias de zoológico, são mais iguais que os outros.
Meu Deus, este rapaz NÃO FAZ JUS ao que consta na lei. Lei não se discute, cumpre-se. Eu nem vou comentar o que acho da pessoa dele e de seu genitor, pois dispensa comentários!
O cancelamento do passaporte deveria vir acompanhado da exoneração dos servidores que o concederam, num claro exemplo de ordem e moralização.
O país está tão sem vergonha, tão malandro, que os caras de pau estão pouco se lixando para a opinião pública.
Era isso que o sindicalista pregava nas portas das fábricas antes de conseguir as benesses do poder?
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