DE SÃO PAULO
Um grupo de ao menos cem ativistas invadiu e resgatou cães da raça
beagle do Instituto Royal, no Jardim Cardoso, em São Roque (59 km de São
Paulo), por volta das 2h desta sexta-feira. Os ativistas protestam
contra o uso de cães da raça em testes feitos pelo instituto que
trabalha para farmacêuticas.
Os ativistas arrombaram gaiolas e resgataram cerca de 200 cachorros da
raça beagle, que foram levados em carros a clínicas veterinárias
particulares da região. Segundo a ativista Giuliana Stefanini, seis
destes cachorros tinham tumores e estavam mutilados. " O que mais chocou
o grupo foi um beagle sem os olhos", disse Giuliana.
No laboratório, os manifestantes também encontraram vários fetos de ratos e um cachorro congelado em nitrogênio líquido.
O protesto começou por volta das 16h de ontem (17) com cerca de 35
pessoas. Segundo a Guarda Civil Municipal, no período da noite o número
de manifestantes começou a aumentar. Por volta das 2h, a GCM
contabilizava ao menos 150 pessoas no local, divididas em grupos em
frente as duas entradas da clínica.
Os manifestantes alegam que tentaram na tarde de ontem uma reunião com o
instituto, que desmarcou em cima da hora. O grupo foi para a frente do
laboratório protestar e disse ter ouvido gemidos de animais.
Antes da invasão do instituto, alguns ativistas foram à delegacia de São
Roque para tentar registrar um boletim de ocorrência de maus tratos
contra os animais, mas o delegado não estava no local. Segundo Giuliana,
outro grupo foi à casa do juiz de São Roque, que atendeu aos ativistas e
chamou a polícia.
Os manifestantes reclamaram que também pediram ajuda a Guardas
Municipais e policiais militares, que estavam em frente ao instituto,
mas eles não fizeram nada.
Segundo a Guarda Civil Municipal de São Roque, nenhum ativista foi
preso. A Polícia Civil de Sorocaba deve fazer a perícia no prédio do
instituto nesta sexta-feira.
PROTESTOS
Em agosto, manifestantes de diversas ONGs de proteção aos animais foram a São Roque (SP) protestar contra o instituto.
O "comboio" saiu da avenida Paulista, no centro da capital, para
percorrer 70 km até São Roque, onde se encontraram com ativistas locais.
Percorreram o centro da cidade com carro de som, empunhando cartazes e
bandeiras com críticas ao instituto e aos testes em animais
(vivissecções).
Após a passeata, o grupo, de cerca de 200 pessoas, foi até o portão da
empresa, onde quatro seguranças estacionaram o carro em frente ao portão
de entrada para evitar arrombamentos.
PESQUISAS
Os cães são usados em pesquisas de medicamentos que serão lançados. O
objetivo é verificar a existência de possíveis reações adversas, como
vômito, diarreia, perda de coordenação e até convulsões.
Em muitas das pesquisas, os cães acabam sacrificados antes mesmo de
completarem um ano, para que se possa avaliar os efeitos dos remédios
nos órgãos dos bichos.
Quando isso não é necessário, os cães são colocados para adoção, diz a empresa.
O Instituto Royal, alvo da manifestação, passou a ser investigado pelo
Ministério Público de São Paulo, que recebeu denúncias de maus-tratos
aos animais.
Ao menos 66 beagles são mantidos em canis. A maior parte deles é reprodutora dos filhotes que serão testados.
O Royal diz que, em breve, fornecerá animais para testes em outros institutos.
"Recebemos a denúncia de que esses animais são acondicionados em
condições irregulares", afirma Wilson Velasco Jr., promotor do Meio
Ambiente em São Roque.
QUESTÃO POLÊMICA
O uso de cães em pesquisas é permitido e regulado por normas internacionais.
Protetores de animais, no entanto, questionam as normas. "As indústrias
sequestram a vida dos animais, que nunca mais terão um comportamento
normal", diz Vanice Teixeira Orlandi, presidente da União Internacional
Protetora dos Animais.
Segundo o vice-diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia
da USP, Francisco Javier Hernandez Blazquez, os cães da raça beagle são
os mais utilizados para experimentos no exterior, pois são animais de
médio porte e já criados para a pesquisa.
No Brasil, ratos e camundongos são os bichos mais usados em pesquisas feitas em laboratórios.
"Todo e qualquer experimento realizado por docentes e pesquisadores em
animais deve passar por uma comissão de ética para analisar se o animal
sofrerá e qual a finalidade do projeto", diz.
O protesto, organizado pelo Facebook, já tem cerca de 300 pessoas
confirmadas. Um comboio sairá de São Paulo às 9h, do Masp, na avenida
Paulista, região central.
OUTRO LADO
Na época, o instituto Royal disse que segue todos os protocolos
nacionais e internacionais voltados para pesquisas com animais em
laboratórios.
Eles afirmaram que são uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de
Interesse Público) e que recebem verba de instituições públicas de
fomento à pesquisa. O protocolo dos testes é aprovado por essas
instituições antes de os estudos começarem.
O instituto disse também que os testes só são feitos nos cães depois de
serem realizados em roedores. Por isso, os efeitos adversos apresentados
nos beagles não são agudos.
Eles afirmaram que sempre que a reação ao medicamento é constatada, um dos nove veterinários do local intervém.
Eles afirmaram que sempre que a reação ao medicamento é constatada, um dos nove veterinários do local intervém.
A etapa da pesquisa em cães é a última antes de o medicamento passar a
ser testado em voluntários humanos, de acordo com o Royal, que afirmou
que os testes realizados nos cães não podem ser substituídos por
técnicas in vitro (sem o uso de animais).
A empresa também negou que houvesse maus-tratos aos animais e abriu o espaço onde os beagles ficam para a reportagem.
Os cães são divididos em baias que contêm de três a quatro animais cada.
O local estava limpo e climatizado no momento da visita da Folha.
Alguns beagles aparentavam estar assustados, tremiam e se afastavam ao
verem as pessoas por perto. Outros se aproximavam da grade em busca de
carinho. Muitos deles estavam obesos.
Um comentário:
Qualquer empresa que faça VIVISECÇÂO não tem argumentos e nem pode ser levada a sério... LAMENTÁVEL!!!
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