O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem à Folha que
a proposta de realização de plebiscito para a reforma política, feita
por Dilma Rousseff, é própria de "regimes autoritários".
"As declarações da presidente são inespecíficas e arriscadas, pois, para
alterar a Constituição, ela própria prevê como. Mudá-la por plebiscito é
mais próprio de regimes autoritários", afirmou FHC.
No domingo passado ele havia criticado, no programa "Canal Livre", da TV
Bandeirantes, a conduta do governo e do Congresso Nacional diante da
recente onda de protestos.
Na ocasião, o tucano disse que tanto o poder Executivo como o
Legislativo deixaram de ser a "caixa de ressonância" dos anseios da
população.
Segundo FHC, todas as discussões se fecharam dentro do Palácio do
Planalto e isso fez com que aumentasse o desprestígio das instituições
públicas os brasileiros.
"Houve um encolhimento da agenda nacional", disse o ex-presidente, dando
exemplos de questionamentos feitos durante seus dois mandatos. "Houve
[recentemente] a mudança na lei do petróleo. Ninguém debateu. Isso não
era assim. Quando quebramos o monopólio do petróleo, foi uma briga
danada. Havia um debate nacional", afirmou.
FHC ainda criticou a falta de direcionamento das reivindicações da população durante os protestos.
Citando o colunista da Folha Moisés Naím, o ex-presidente disse que, se
não houver uma reforma institucional, não haverá objetivo concreto
alcançado.
"É preciso que haja mudança institucional para que haja um maior
engajamento, mas não se conseguiu isso até hoje", afirmou o tucano. (FÁBIO ZAMBELI)
Nenhum comentário:
Postar um comentário