A Prefeitura de Boa Esperança do Sul (SP) vai liberar R$ 50 mil dos
cofres públicos para retirar restos de couro descartados de forma
irregular por empresas da cidade. Os retalhos despejados causam mau
cheiro e trazem transtornos aos moradores há pelo menos cinco anos.
Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), se
as empresas continuarem descartando o couro de forma irregular, elas
podem até ser fechadas.
A decisão da Prefeitura em retirar os restos dos curtumes com dinheiro
público foi aprovada pela Câmara dos Vereadores da cidade. Para o
prefeito, Marco Aurélio Rosim (PPS), essa é uma forma de garantir que as
empresas, que produzem equipamentos de segurança individual, continuem
funcionando. Hoje, elas são responsáveis por 300 empregos diretos e
indiretos.
"A responsabilidade desses resíduos é só das empresas, mas elas são
geradoras de emprego no município. Também tem o mau cheiro e a poluição
do solo, então é viável a gente agir de imediato e ajudar as empresas a
eliminar esses resíduos de couros existentes em Boa Esperança do Sul",
disse Rosim.
Restos de couro são armazenados de forma
irregular (Foto: Adriano Ferreira/EPTV)
irregular (Foto: Adriano Ferreira/EPTV)
Segundo levantamento da Prefeitura, são quase 500 mil quilos de
resíduos armazenados de forma irregular. O ideal seria que todo esse
couro fosse depositado em aterros industriais para evitar principalmente
a contaminação do solo. Em Boa Esperança do Sul são 19 empresas
cadastradas, segundo a Cetesb. Oito delas já foram advertidas por
armazenar os resíduos de forma errada. Em caso de reincidência podem ser
multadas e se o problema persistir podem ser fechadas.
Situação
Em um terreno no Jardim Primavera há uma grande quantidade de couro
amontoado sem nenhuma proteção do solo e os moradores reclamam da
situação. "Se você está dentro de casa, vem aquele mau cheiro. Isso faz
mal", disse a dona de casa Eva Lopes.
Para os moradores, a falta de cuidado por partes das empresas da cidade
é a principal causa do problema. "A gente conversou com os empresários e
eles falaram que dentro de um ano eles tiram, mas a gente quer uma
solução rápida por causa do cheiro", afirmou a dona de casa Cristiane
Domingos da Cruz.
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