Sérgio Dávila
Juca Varella
enviados especiais a Bagdá Bagdá amanheceu ontem indiferente à efeméride. Pelo menos é o que parecia, enquanto tomávamos café da manhã com o motorista e o tradutor iraquianos contratados pela reportagem da Folha nessa nova estada na cidade, dez anos depois.
Pouco depois das 8h locais (2h de Brasília), os telefones celulares da dupla começaram a tocar. Eram parentes querendo saber se eles estavam vivos. Logo, uma fonte na polícia bagdali nos confirmou que uma série de explosões sacudia a cidade.
Antes de decidir para qual lado seguiríamos --os primeiros relatos sobre os locais exatos das explosões eram desencontrados--, subimos ao topo do edifício de dezoito andares em que estávamos em busca de orientação visual para o motorista.
Ali, duas nuvens de fumaça indicavam que Sadr City, na periferia, e o mercado de Al Baeaa tinham sido de fato alvos.
Juca Varella
enviados especiais a Bagdá Bagdá amanheceu ontem indiferente à efeméride. Pelo menos é o que parecia, enquanto tomávamos café da manhã com o motorista e o tradutor iraquianos contratados pela reportagem da Folha nessa nova estada na cidade, dez anos depois.
Pouco depois das 8h locais (2h de Brasília), os telefones celulares da dupla começaram a tocar. Eram parentes querendo saber se eles estavam vivos. Logo, uma fonte na polícia bagdali nos confirmou que uma série de explosões sacudia a cidade.
Antes de decidir para qual lado seguiríamos --os primeiros relatos sobre os locais exatos das explosões eram desencontrados--, subimos ao topo do edifício de dezoito andares em que estávamos em busca de orientação visual para o motorista.
Ali, duas nuvens de fumaça indicavam que Sadr City, na periferia, e o mercado de Al Baeaa tinham sido de fato alvos.
Imagem mostra local da periferia de Bagdá atingido por ataque nesta terça-feira
(Juca Varella/Folhapress)
Enquanto começávamos a gravar um vídeo para a TV Folha registrando os
dois ataques já ocorridos, e antes de sair, ouvimos um barulho forte,
seguido de uma fumaça preta no início modesta, que foi engrossando,
engrossando, até formar no céu claro do inverno quente de Bagdá uma
figura parecida com o mapa do Brasil ou da América do Sul.
Naquele momento, estávamos flagrando a explosão de um carro-bomba, a dois quilômetros de onde nos encontrávamos, do outro lado do Rio Tigre, que divide a cidade. Ocorreu atrás do hotel Al Mansur, conhecido por ser destino de diplomatas, empresários e jornalistas estrangeiros em visita à cidade.
É uma área não muito distante de uma das entradas da Zona Verde, sede
do governo iraquiano, e da prefeitura de Bagdá, onde durante a guerra de
2003 estava instalado o ministério da Informação de Saddam Hussein,
responsável pela vigilância e censura da imprensa no país durante a
ditadura.
São vários os prédios governamentais por ali. Nosso próximo passo foi tentar chegar perto daquela região. Depois de uma hora enervante parados num trânsito mais carregado que o usual, já bastante carregado, descobrimos que todas as pontes que ligam os dois lados da cidade tinham sido fechadas.
É o paradoxo bagdali: os pontos de checagem policial criam trânsito, que facilitam a ação dos terroristas, que se explodem onde há maior concentração de carros. Novas explosões criam novos checkpoints e tornam os existentes ainda mais rígidos, piorando ainda mais o trânsito e facilitando novas ações.
São vários os prédios governamentais por ali. Nosso próximo passo foi tentar chegar perto daquela região. Depois de uma hora enervante parados num trânsito mais carregado que o usual, já bastante carregado, descobrimos que todas as pontes que ligam os dois lados da cidade tinham sido fechadas.
É o paradoxo bagdali: os pontos de checagem policial criam trânsito, que facilitam a ação dos terroristas, que se explodem onde há maior concentração de carros. Novas explosões criam novos checkpoints e tornam os existentes ainda mais rígidos, piorando ainda mais o trânsito e facilitando novas ações.
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