SÃO PAULO - Seis diretórios municipais do PT e três do PSDB no interior de São Paulo serão dissolvidos e terão seus líderes substituídos como punição por declararem apoio a candidatos a prefeito do partido oposto. Desde 1996, as executivas nacionais petista e tucana proíbem apoios recíprocos, mas a regra é alvo de contestação de lideranças locais, que se consideram submetidas a uma polarização forçada.
No flanco petista, serão dissolvidos os diretórios de Aramina, Ariranha,
Cássia dos Coqueiros, Colômbia, Ribeirão Bonito e Santa Rita D´Oeste, cujos
líderes decidiram pedir aos seus eleitores que votassem 45. Na outra ponta, a
executiva estadual do PSDB intervirá nos diretórios de Paraíso, Barra do Turvo e
Murutinga do Sul para impedir que os tucanos desses municípios apoiem candidatos
do PT.
Em todos os casos, são cidades pequenas, com menos de 9 mil votantes e
eleições disputadas entre dois ou três candidatos - um contexto local favorável
à aproximação entre partidos que, nacionalmente, se apresentam como inimigos.
Um exemplo é Santa Rita d´Oeste, no noroeste paulista, onde o PT local
decidiu apoiar a reeleição do prefeito tucano Walter Muller. A cidade tem 2.376
eleitores e, até a véspera do prazo de inscrição de candidaturas, tinha apenas
um candidato: o próprio prefeito. Nesse cenário, Osmar Sampaio, vereador e
presidente do diretório municipal do PT, declarou voto em Muller, em troca da
promessa de receber o apoio do tucano para se eleger prefeito em 2016.
O petista argumenta que Muller é aprovado por 80% da população, o que torna
sua reeleição praticamente certa, e que se o PT decidisse lançar candidato
próprio, não alcançaria coeficiente eleitoral para eleger nenhum vereador. "Se
eu fico fora da coligação (de Muller), fico fora da política", resume. Ele
afirma que a decisão foi apoiada por todos os 107 filiados do diretório, que
apostaram em "uma construção para o futuro".
Sampaio rejeita a pecha de infiel e diz que não há motivo para ser oposição
"só para ser do contra". "Infidelidade partidária é mensalão, é corrupção, nós
não estamos fazendo nada mais do que brigar pelo bem-estar do município", ataca.
Contudo, para Edinho Silva, presidente estadual do PT, o assunto está
decidido e os diretórios que desobedeceram a regra serão dissolvidos. "Há
municípios que se esforçaram para lançar candidato próprio, não podemos
privilegiar a incoerência", diz.
Em Murutinga do Sul, no oeste paulista, ocorre o inverso. O diretório tucano
aderiu à coligação liderada pela candidata do PT, Neide Viola, após ser
rejeitado pela chapa de oposição, liderada pelo PTB. O secretário do diretório,
Luiz Wilson Barbosa, argumenta que o partido não alcançaria o quociente
eleitoral mínimo para eleger sequer um vereador caso se lançasse sozinho nas
eleições.
Ele define a proibição de apoiar o PT como um "radicalismo anacrônico" e
garante que sairá do partido, acompanhado de outros correligionários, se a regra
for aplicada na cidade. "Se um diretório municipal não tem ao menos a chance de
decidir a política local, o que nós estamos fazendo aqui?", questiona.
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