Revista afirmou que Lula pressionou ministro do STF para adiar julgamento.
'O processo está maduro [...]. Chegou a hora de julgar', disse Ayres Britto.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres
Britto, disse nesta segunda-feira (28), em São Paulo, que o processo do
mensalão está "maduro" para ser julgado.
Neste final de semana, a revista "Veja" publicou reportagem segundo a
qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sugerido ao
ministro Gilmar Mendes, do STF, para ajudar a adiar o julgamento do
mensalão em troca de “proteção” nas investigações da CPI do Cachoeira.
“O que a sociedade quer, o que a imprensa quer, é compreensível. É o
julgamento do processo, sem predisposição, seja para condenar, seja para
absolver. O processo está maduro para ser julgado, chegou a hora de
julgar”, afirmou Britto, que participou em São Paulo do 5º Congresso da
Indústria de Comunicação.
O presidente do Supremo disse esperar que o julgamento aconteça rapidamente, mas afirmou que isso depende do ministro Ricardo Lewandowski, encarregado de fazer a revisão do relatório elaborado pelo ministro Joaquim Barbosa,
relator do processo do mensalão. “Já me encontro em fase de logística,
de elaboração de cronograma [do julgamento], mas estou na dependência do
ministro [Lewandowski]”, afirmou.
Ele disse que o ministro Lewandowski não sinalizou se entregaria o processo agora ou se o fará no segundo semestre.
“Rigorosamente não sei [quando ele entregará]. Mas estou preparado para
ultimar a logística, a formatação do julgamento, e, tão logo o revisor,
o ministro Lewandowski disponibilize o processo para a pauta de
julgamento, darei o início. Farei a publicação devida no 'Diário da
Justiça' e darei, junto aos outros ministros, início ao julgamento”,
declarou.
Britto não respondeu se Lula pode ser responsabilizado de alguma forma em razão do episódio com Gilmar Mendes.
“Foi um diálogo protagonizado por três agentes, três pessoas. Dois
desses agentes já falaram, falta o terceiro. Aguardemos a fala do
terceiro [o ex-presidente Lula]. (...) Não tenho como responder por
antecipação”, declarou.
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