domingo, 11 de setembro de 2011

Editorial - A Guerra dos americanos e a dos brasileiros


A Guerra dos americanos e a dos brasileiros

Josmar Verillo*

Ao ser incumbido de fazer uma apresentação para o Comitê de Experts da Organização os Estados Americanos, sobre como o Brasil está cumprindo a convenção contra a corrupção daquela entidade, acabei em Washington no dia 11 de setembro,n o décimo ano dos ataques terroristas nos Estados Unidos.

O assunto, as comemorações e as histórias dominam os meios de comunicação, e não poderia ser diferente. Ao ver juntos em uma cerimônia duas pessoas tão diferentes como Barack Obama e George Bush nós somos levados a pensar que existe uma coisa maior que une essas pessoas. Quando se trata de defender os Estados Unidos, eles esquecem as diferenças e ficam juntos lado a lado, ainda que acreditem em coisas diferentes, muitas delas diametralmente opostas e aparentemente irreconciliáveis.

Isso jamais aconteceria se Obama pensasse que Bush  fosse corrupto, ou vice-versa.  Isso porque a democracia tem regra do jogo, e a corrupção significa jogar fora da regra do jogo, e quando as regras do jogo são subvertidas, acaba qualquer possibilidade de união, ou de luta comum.  O terrorismo é jogar fora das regras. E corrupção também é jogar fora das regras.

Os mesmos republicanos que forçaram um plano de redução de gastos no Governo democrata de Obama para que aceitassem aprovar o aumento do teto da dívida pública,  atitude que contribuiu muito para o rebaixamento  de crédito dos Estados Unidos,  se apresentaram juntos e unidos no dia 11 de setembro para defender o país contra o terrorismo.

O Brasil não tem como inimigo os terroristas da Al Qaeda. Mas o país tem um inimigo que causa mais dano do que aquela organização terrorista causou ao Estados Unidos. Mais crianças e famílias são dizimadas pela força desse inimigo. Os danos da corrupção não são tão chocantes como um avião se chocando contra as torres gêmeas, mas eles são tão devastadores quanto.

Esse inimigo impede que presidentes se juntem em uma cerimônia por uma causa comum. Esse grande destruidor de nações, famílias e futuros é a corrupção. Fica difícil para um presidente que acha que o outro joga fora das regras do jogo se juntar em uma cerimônia ou uma causa comum.  E em maior ou menor grau, no Brasil todos jogaram um pouco fora das regras do jogo. Nenhum presidente brasileiro se propôs a lutar contra esse grande inimigo da nação brasileira.

A corrupção impede  a consolidação da democracia brasileira. Enquanto esse inimigo não for derrotado não haverá confiança, tampouco clima para que se lute contra uma causa comum.  Da mesma forma que ela divide presidentes, divide a nação brasileira. A corrupção é o grande mal do século XXI e afeta particularmente as nações emergentes como o Brasil, principalmente porque prevalece a impunidade.

Quem poderia acabar com a impunidade no país não o faz, porque eles próprios são os  beneficiários da impunidade. É como se pedíssemos aos ladrões que tomassem medidas para acabar com os roubos.  Os beneficiários da impunidade são alguns Deputados Federais, Senadores, e alguns membros do  Executivo e do Judiciário.  Se não houvesse um grande número de corruptos nessas instituições, pelo menos institucionalmente a corrupção sofreria um grande golpe com a votação de leis que dificultassem a mesma.

Acabar com a impunidade afetaria os corruptos desses poderes. Por isso eles não o fazem, e continuam se beneficiando do foro privilegiado, das prescrições rápidas dos crimes cometidos, da não aplicação da Lei de Improbidade Administrativa, e da lentidão da justiça. Isso faz o Brasil um paraíso para os corruptos. Eles são bem vindos e protegidos por instituições como a Câmara dos Deputados. Não importa quão criminosa a pessoa seja, se for eleita como Deputado Federal ele estará protegido pela instituição.  Fernandinho Beiramar, se for eleito na próxima eleição para a Câmara dos Deputados, vai exercer o seu mandato com tranqüilidade. É por isso que tantos criminosos buscam refúgio naquela instituição.

Enquanto não vencermos a guerra contra a corrupção, e mais especificamente contra a impunidade, não vai haver um elo que una os brasileiros para uma causa maior. Essa é uma grande diferença da democracia americana e da democracia brasileira. A guerra americana é uma guerra heróica que defende uma democracia e uma forma de vida. A nossa luta por hora é uma luta intestina, onde brasileiros enganam, ludibriam e roubam outros brasileiros. Portanto não é uma luta que evoca heroísmos. É uma luta muito mais difícil, mas que o povo brasileiro precisa enfrentar. Caso contrário não haverá lutas maiores pelas quais lutar.

* Josmar verillo
·         Empresário, Doutor em economia pela Michigan State University, Vice Presidente do Conselho da AMARRIBO BRASIL.  

Um comentário:

Andrea disse...

Parabéns pela palestra proferiada aqui em Baurú, e pelo trabalho de vocês. Senti que realmente não estou fazendo nada para mudar este país, estou acomodada. A palestra foi muito explicativa e em alguns momentos chocantes como o caso relatado do desvio de merenda escolar das crianças. Ainda bem que temos pessoas como vocês que estão de olhos nos corruptos.