quinta-feira, 5 de maio de 2011

Procuradores defendem o fim do foro privilegiado

Procuradores defendem o fim do foro privilegiado
Qui, 05 de Maio de 2011 09:35
Na avaliação feita pela AMARRIBO do cumprimento por parte do Brasil da Convenção Anti corrupção da Organização dos Estados Americanos, constou uma recomendação para que o país eliminasse do seu arsenal jurídico o foro privilegiado.

Esse instrumento é responsável pelo elevado grau de impunidade que impera no país. Senadores, deputados federais e ministros, só podem ser processados pelo STF, e governadores junto ao Superior Tribunal de Justiça.  Prefeitos e deputados estaduais, só podem ser processados criminalmente pelos Tribunais de Justiça dos Estados. Como esses tribunais não são equipados, e não foram criados para conduzir investigações, esses processos ficam paralisados  por anos, e acabam caindo na prescrição. Essa é sempre a estratégia dos políticos que são pegos em atos de corrupção.

Segundo levantamento feito pela AMB, apenas 4,6% das ações penais  instauradas diretamente, em razão do foro privilegiado, perante o   Supremo Tribunal Federal desde 1998 foram julgadas. No caso do Superior Tribunal de Justiça apenas 2,2%. Dos 130 processos recebidos pelo Supremo Tribunal Federal apenas seis foram concluídos, com a absolvisão dos réus, e treze prescreveram antes de ir a julgamento. Das 483 ações recebidas pelo Superior Tribunal de Justiça, apenas 16 foram julgadas, com 5 condenações e 11 absolvições, e 71 ações prescreveram antes do julgamento. Esses são processos contra parlamentares, ministros e governadores, que têm direito ao foro privilegiado.

É importante notar que cada vez mais vozes qualificadas se posicionam contra esse instrumento, que é uma aberração do ponto de vista jurídico. É como se houvesse uma casta superior de cidadãos, que não prestam contas à justiça. Ao criar esse instrumento o arcabouço jurídico do país transformou os orgãos de justiça colegiados em tribunais de exceção, pois eles foram criados para julgar apelações e não para fazer investigações. E como não fazem investigações, não podem julgar. Está criado o ambiente para a impunidade.
Ainda que alguns orgãos tenham tentado se equipar para conduzir investigações, isso apenas mitiga um pouco essa distorção do princípio da igualdade perante a lei, pois foi criada para proteger políticos corruptos.

Os quatro candidatos ao cargo de procurador geral da República, Ela Wiecko, Antonio Fonseca, Rodrigo Janot, bem como o atual incumbente do cargo, Roberto Gurgel são contra o instituto do foro privilegiado. Os quatro vão concorrer em uma votação interna do Ministério Público Federal para criar uma lista tríplice que será submetida à Presidenta Dilma Roussef, que nomeará o próximo procurador geral para um mandato de 2 anos. Normalmente os presidentes escolhem o mais votado deles para a nomeação.

Somente o Congresso Nacional pode mudar essa lei, e por isso é necessário pressão da sociedade para que isso aconteça, como no caso do ficha limpa. É importante que mais vozes de autoridades como o procurador geral da República se manifestem para que a sociedade brasileira se veja livre de mais esse instrumento indecente de impunidade de corruptos.
AMARRIBO

6 comentários:

magalhães disse...

este é um passo importante na punição dos governantes , até então a certeza de não ser nem julgado era concreta !!!! ótimo , o cerco está fechando !!!!!!

Andre Lucato disse...

O foro privilegiado não é instrumento de impunidade.
É simplesmente um mecanismo para concentrar em um só local as demandas contra um certo agente público.
É impressionante como se desvia o foco das atenções aqui no país. Em vez de atacar o problema, atacam-se as questões coadjuvantes, para parecer que algo foi feito.
Nunca se critica o poder judiciário, que é o principal problema no país. Pior até que a corrupção, pois se o judiciário funcionasse, os cidadãos teriam mais receio em cometer crimes.
Um exemplo: a lei seca. A tolerância à taxa de álcool no sangue, antes da lei já era extremamente baixa. Se houvesse um aumento do efetivo das polícias e a adequação e equipamento dessas, a fiscalização pegaria muitos e muitos motoristas. Em vez disso, diminuiu-se a tolerância ao álcool e, hoje, que a fiscalização já relaxou, tudo continua na mesma.
Da mesma forma, em vez de consertar o judiciário (que por exemplo não trabalha desde a quarta feira, antes das sextas feiras santas), pulverizam-se os processos contra políticos entre as instâncias inferiores, criando uma instância a mais para recurso e propiciando os mesmos longos anos para o trâmite desses processos.
Diferentemente deste blog, acredito que os políticos absolvidos não o foram por o processo ter sido julgado no foro privilegiado, mas porque ali não havia provas que os condenassem. Nosso estado é assim. Não se deve buscar a vingança, mas a justiça.

Wal disse...

Será que os que foram absolvidos, não foram beneficiados justamente pela falta de condições e capacitação de quem os julgou?
Esse pessoal não tem a mínima condição de investigação. Perícias?
Levam anos.
O negócio é deixar prescrever mesmo.

Josmar Verillo disse...

A democracia pressupõe a igualdade dos cidadãos perante a lei. Não se pode fazer uma democracia funcionar tratando cidadãos diferentemente. Esse é um princípio básico.
Ainda que fosse um instrumento para concentrar os processos de políticos, no Brasil ele virou instrumento de impunidade, pois transferiram a responsabilidade constitucional de investigar para cortes que não foram criadas para fezer isso.
Isso torna o foro privilegiado uma excrecência. Essa é a opinião da elite pensante do país, concentrada em juristas, filósofos, pensadores, e também dos políticos sérios.
Josmar Verillo

Andre Lucato disse...

Que eu saiba, nenhum tribunal tem competência para investigar nada, atribuições do Ministério Público e Poder Legislativo.
Além do mais, acredito que o princípio básico seja, na verdade, tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. Dessa maneira, acredito que não se deve equiparar um presidente da república, senador, governador ou prefeito ao cidadão comum. Por motivos óbvios eles são diferentes perante o Estado.
Se o órgão do Estado a quem se atribui a responsabilidade funciona mal, então que seja reformado esse órgão! Equipado e adequado ao volume e natureza do trabalho a que se destinam...
Simplesmente não vejo vantagem em ter que processar o prefeito no fórum de Ribeirão Bonito, para depois o réu recorrer ao TJ, quando no foro privilegiado ele terá seu processo iniciado no TJ, economizando pelo menos uns 2 anos, que seria o tempo consumido aqui na 1ª instância.

Pasquale Cipro Neto disse...

BEM LEMBRADO PELO AMIGO AI-ANDRE LUCATO- O PRINCIPIO DA ISONOMIA CONSAGRADA EM NOSSA CONSTITUIÇÃO NO CAPITULO DOS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS, ART.5º, CAPUT. “TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI(...)”
TENHO O PENSAMENTO DE QUE SE FOR ANALIZADO-FORO PRIVILIGIADO-SOB O PRINMA FORMAL, QUE É A PREVISTA NO TEXTO LEGAL CHEGAREMOS A ESTA CONCLUSÃO DE QUE O PREVILEGIO É UMA “excrescência” TOTALMENTE CONTRA O TEXTO CONSTITUCIONAL, MAS OBSERVANDO DE FORMA MATERIAL, COMO FEZ ANDRE, QUE SE FAZ NECESSARIO TRATAR OS IGUAIS DE MANEIRA IGUAIS E OS DESIGUAIS DE MANEIRA DESIGUAIS.
A PROPRIA CONSTITUIÇÃO PARA GARANTIR DIREITOS PREVE ALGUMAS FORMAS DE TRATAMENTO DESIGUAL, NÃO HÁ DESIGUALDADE EM GARANTIR QUE UM DEPUTADO SEJA INVIOLAVEL CIVIL E PENALMENTE POR QUALQUER DE SUAS OPINIÕES.
SEM SOMBRA DE DUVIDA A PRESSUPOSTOS LÓGICOS QUE JUSTIFICAN A NÃO EQUIPARAÇÃO, POIS IMAGINE A SITUAÇÃO-UM JUIZ DE PRIMEIRA INTRANCIA JULGANDO UM GOVERNADOR DE ESTADO-TOTALMENTE INCONGRUENTE.
A DISCUSSÃO É BOA E AINDA RENDERA MUITO PANO PARA MANDA, SEM CONTAR QUE VAI LONNNNNGGEEEEEEEEEE...........