terça-feira, 5 de maio de 2015

Pedroca, o exemplo a ser seguido

A bela história de Pedro Luiz Dias Aguiar
 Sebastião Malheiro e sua esposa Telma ao lado de Pedroca

Dourado
Antes de dizer que está cansado e que nada vale a pena, converse um pouco com o Pedro Luiz Dias Aguiar que completou em 2015, 82 anos. Pedroca, como é conhecido, recentemente chegou de uma cavalgada que durou 35 dias. O percurso foi pequeno perto do qua já fez no passado. Saiu de São Paulo-Capital, atingindo a capital federal em Brasília. Com 60 anos percorreu o Brasil de norte a sul em uma cavalgada que durou 2 anos. O recorde está registrado em livro onde o percurso atingiu 20 mil quilômetros cavalgando no lombo de cavalos da raça Mangalarga.
  Pedro Luiz Dias Aguiar
Carinhosamente conhecido por Pedroca, descendente do bandeirante Fernão Dias, paulistano de nascimento e douradense de coração, diz que acha bonito o carinho que as pessoas têm com a chamada terceira idade, mas nega ter chegado a ela  mesmo aos 82 anos. 

A história do Pedroca tem ligação direta com o campo. Nos anos 50 herdou um bom pedaço de terra, perto de 600 alqueires, mas não parou por aí, adquiriu com outros sócios mais 500 alqueires. A maior parte delas localizadas em Dourado, onde está a Fazenda Bela Vista. 

Nessa fazenda, basicamente plantava-se café. Com a crise de 1929, parte do café foi erradicada dando lugar ao algodão. Pedroca lembra com tristeza quando o governo  enviava equipe para a erradicação do café. A cada três sacas do produto, uma era queimada.  "isso acontecia no vilarejo de Trabiju", diz Pedroca.  Hoje, Trabiju é emancipada a município.

Um pouco de café, algodão e o novo investimento: gado leiteiro eram, então, as novas atividades da fazenda. “Chegamos a produzir 1.500 litros de leite por dia com um dos melhores rebanhos da região, diz Pedroca. A Bela Vista foi experimentando de tudo: Arroz irrigado, milho, sorgo, gado de corte. “Com todo o movimento que tínhamos, a conta nunca fechava no final do mês”, disse

Pedroca. A persistência na área agrícola e pecuária durou até o dia em que hospedou um amigo na sede da propriedade, em 1982. Ouviu do amigo uma sugestão: para que transformasse a Bela   Vista em hotel. 

Na tentativa de continuar no campo, aceitou a idéia do amigo colocando um pequeno anúncio num jornal de grande circulação. Certo dia ligou o primeiro pretendente que acabou por fechar por telefone sua estada na Bela Vista. “Não tinha estrutura de hotel, o jeito foi ceder o meu quarto, o melhor da casa para o visitante”, relata Pedroca. 

Parece que o primeiro hóspede lhe deu sorte. Hoje a estrutura da Bela Vista dispõe 10  chalés e 7 apartamentos que são disputados pelos seus tradicionais clientes que se tornaram seus amigos.

Um sonho que perseguia o fazendeiro de fala mansa e contador de muitos “causos” era um dia percorrer parte do país no lombo de um cavalo. E não é que o convite surgiu? Aos 60 anos, Pedroca juntamente com seu irmão Jorge e seu campeiro José Reis partiram para um grande desafio que foi a cavalga da batizada de “Projeto Brasil 14 mil”, organizada por um amigo, o Sebastião Malheiro. 
No lombo de cavalos da raça Manga Larga Marchador, rumaram para o extremo sul do país, Chuí, atingindo o extremo norte, Oiapoque, chegando de volta à São Paulo, amarrando a tropa no Parque da Água Branca.

Na partida da capital, Zé Reis ouviu duas mulheres na rua: “São esses os cavaleiros que vão cruzar o país a cavalo? Três velhos que devem estar mijando nas botas. Duvido que consigam sair do estado"... A marcha durou dois anos e 45 dias.

Pedroca completou 60 anos durante a cavalgada. Os três sessentões cumpriram essa façanha que acabou indo parar no Guinness Book , livro dos recordes como prova de resistência e esforço.

Nesse percurso 1.080 trocas de ferraduras e 60 mil kg de ração foram consumidos pela tropa composta por 6 animais. Os 14 mil km previstos no início do projeto viraram 19.300km, quando os cavaleiros fincaram as bandeiras de São Paulo, do Brasil e de Dourado no Parque de  Exposições da Água Branca, em SP, após terem passado por 20 Estados, Distrito Federal e 372 municípios. 

Jorge Aguiar não parou por aí, montou no tordilho rumo à Argentina, Buenos Aires, onde percorreu mais 3 mil km. 

Quem pensou que o Pedroca fosse pendurar os arreios, enganou-se. Em 2004 Pedroca e Jorge participaram de mais um projeto: “O Caminho do Ouro”. Percorreram 1.650km a cavalo na rota do Bandeirante Anhanguera que saiu para o sertão em busca do ouro, em Goiás. Desta feita o percurso consumiu 60 dias de cavalgada. 
“Sempre levei uma vida saudável, bebida só socialmente, nada de farras nem exageros”, diz Pedroca para  explicar sua energia e disposição. Hoje, aos 82, Pedroca acorda todos os dias às 5h30, toma seu café e acompanha os hóspedes nas cavalgadas matinais. 

Os arreios depois da maratona de 20 mil km, não foram pendurados. Pedroca participou do Projeto Tropel Mangalarga. Cavalgaram 1.400km de São Paulo à Brasília.

Perguntei ao Pedroca, o porque dessa cavalgada: "Eu tinha que levar uma placa que encontrei em um ferro velho. Essa placa foi uma homenagem ao JK quando inaugurou um hotel na Ilha do Bananal. Levar de carro não tem graça, levei à cavalo", disse o jovem de 82 anos.

Não espantem se o Pedroca disser que ainda não pendurou as tralhas, pois disposição e saúde, não lhe faltam. Atualmente viaja 50km até a cidade vizinha de São Carlos onde frequenta uma academia praticando exercícios de várias modalidades.

Jornal Agosto/ Blog do Ronco
Texto e Fotos: Ronco
Matéria atualizada em maio de 2015.

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